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A tentação da portabilidade e do saque e o mito da rentabilidade como solução
O fenômeno não é novo, mas torna-se dramático ao observarmos bancários, profissionais que deveriam dominar a lógica do risco, abrindo mão da segurança pela incerteza do empreendedorismo ou do investimento individual.
Recursos de portabilidade e resgate tornam-se pontos de evasão patrimonial sob pressão imediatista. Na ausência da tutela institucional, o capital fica exposto a emergências de saúde e outras e à carência de gestão especializada. Esse cenário revela a fragilidade da lógica financeira diante da psicologia do risco em impulsos emocionais, que tendem a priorizar o presente em detrimento da solvência futura.
O cenário agrava-se quando lideranças contemplam narrativas liberais que incentivam a portabilidade e o resgate. Apostar na volatilidade pela volatilidade viola o princípio da mutualidade e compromete a solvência das gerações futuras. O histórico das migrações entre perfis e o desempenho daqueles que optaram pela gestão individual de suas reservas previdenciárias demonstram que a autonomia, nesses casos, raramente supera a segurança da gestão profissional da PREVI.
Existe um imperativo ético e fiduciário. A gestão de fundos de pensão é incompatível com a normalização do trading como estilo de vida na busca de rentabilidade. O mandato regulatório exige a proteção dos interesses dos participantes, priorizando sempre a solvência e a liquidez. O sucesso histórico do Plano 1 não foi fruto de apostas, mas de um rigor estratégico que, a cada processo eleitoral, corre o risco de ser negligenciado em favor de narrativas imediatistas.
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